Tendência na pandemia: o Turismo de Isolamento – Turismo

Tendência na pandemia: o Turismo de Isolamento – Turismo

Tendência na pandemia: o Turismo de Isolamento – Turismo 150 150 Super Anfitrião








Paraty, no Rio de Janeiro, é um dos destinos apontados como bons para buscar isolamento

Foto: Guido Nietmann/Adobe Stock



Foi viajar para dar um tempo: era como se dizia antigamente sobre a pessoa que, cansada da rotina, pegou a estrada. Nesta fase de quarentena, em que é melhor restringir as saídas para evitar contaminação por Covid-19, há quem tenha investido em algo parecido, que já está sendo chamado de “turismo de isolamento”.

Fernando Aith, professor titular do Departamento de Política, Gestão e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, explica:

“Isso pode ser seguro, sim. Posso me transferir de um grande centro populacional para um lugar onde o distanciamento social é naturalmente mais fácil. É uma opção interessante para quem tem condições, e até recomendável para a pessoa não pirar, mas desde que tomadas algumas precauções importantes.”

O professor acrescenta: “Casa alugada é mais seguro do que hotel ou pousada porque você tem domínio de quem está entrando e não é obrigado a cruzar com mais pessoas.”

Segundo Aith, é indicado levar produtos de limpeza de casa. “Mas a carga viral nos ambientes vai diminuindo em 72 horas. Já sabemos que o maior problema da contaminação é pelo ar, no contato com os outros.”








Praia de Itamambuca em Ubatuba, onde professora alugou imóvel para relaxar e trabalhar

Foto: Eduardo Lara Filho/Adobe Stock



Alternativa

O aluguel de imóveis onde se possa estar na natureza, mantendo o distanciamento, passa a ser uma opção em tempos em que a interação entre seres humanos é proibitiva. Casas no litoral ou no campo surgem como alternativa para um turismo de isolamento.

Diante desse cenário e da possibilidade de trabalho remoto, Guilherme Finotti saiu da capital paulista e alugou uma casinha na cidade mineira de Gonçalves. “Hoje tem uma infraestrutura que não existia, e a chegada do 5G vai mudar radicalmente a nossa relação com o campo”, afirma o advogado, que atua como mediador na área jurídica. “Como viajo muito, a minha ideia é ter uma base em um lugar onde eu goste de estar e usar o Airbnb quando for a São Paulo ou para passar uma semana na praia, em Ubatuba.”

Nova realidade

De acordo com levantamento da Booking.com, dois em cada cinco (44%) brasileiros estão interessados em combinar trabalho com férias, e quase metade (47%) fez isso ao menos uma vez em 2020. A pesquisa on-line foi realizada em novembro com 47.728 pessoas em 28 países, sendo quase 2 mil do Brasil.

Enquanto a praia é o lugar predileto para workcation (a união de trabalho e férias) para 63% dos brasileiros, 56% desejam ficar em um lugar de natureza onde possam ir a parques. A acomodação divide opiniões: 22% escolhem hotéis e pousadas; 22%, resorts; e 21%, apartamentos, casas ou vilas.








Gonçalves, no Interior de Minas Gerais, é outra localidade remota escolhida para estadia

Foto: Gabriela Paixão/Adobe Stock



No meio de 2020, a professora Helena Costa alugou por duas semanas uma chácara perto de Brasília, na região rural de Paranoá, para curtir as férias dos filhos, Clarice e Eduardo, hoje com 5 e 2 anos, respectivamente.

“A gente teve de esperar porque as casas estavam sempre com muita demanda. As crianças correram soltas. Só o fato de ter mais espaço… A gente olhava a imensidão do cerrado, fazia geleia das frutas do pomar”, diz a coordenadora do Laboratório de Estudos de Turismo e Sustentabilidade da Universidade de Brasília.

“Nem todo mundo precisa estar de férias. Meu marido conseguia ir trabalhar porque dá meia hora de carro.” (AE)

 

Opção por uma espécie de vida nômade

Alguns apostam em seguir em trabalho remoto em 2021, o que possibilita hospedagens longas quando a pandemia estiver mais controlada. Foi o que motivou Larissa Castro, professora de Direito Constitucional da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, a sair de Goiânia em janeiro, em busca de autoconhecimento e saúde mental:

“Tirei do papel o plano de virar nômade”, conta. Em 2020, ela faria um ano sabático para dar a volta ao mundo, mas veio a pandemia. Ficou em casa até setembro. Quando os números da Covid caíram no Brasil, Larissa botou o carro na estrada e se mudou para Arraial do Cabo, no litoral norte do Estado do Rio.

Mudando

“Escolhi lá porque tinha barreira sanitária: só entrava morador e quem alugou casa. Depois, fiquei em Itamambuca (SP) para aprender a surfar e me mudei para Paraty (RJ) para aprender a velejar. Nem ao centro eu vou”, diz a professora, a bordo do veleiro onde ficou por uns dias. “Meu critério é boletim epidemiológico. Os casos aqui estão subindo. Vou voltar para Arraial.”

Todos ouvidos nesta reportagem ressaltam a importância do distanciamento social. “É isolamento. Tem coisas que dá para conciliar, e outras, não. O hospital mais próximo de Gonçalves está a 80 quilômetros. É importante que a gente tenha a noção de que precisa preservar a população da Covid”, diz Finotti.(AE)

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Fonte: https://www.diariodecanoas.com.br/cotidiano/turismo/2021/04/24/tendencia-na-pandemia–o-turismo-de-isolamento.html

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